O Telefone toca. 04h45min. Orácio nem sequer abre os olhos. Já sabe a notícia que vai mudar seu destino. Apesar de que nunca tenha acreditado em tal criação religiosa, desta vez está com receio do que venha a acontecer… O telefone toca. 04h47min.
- Maldição, conseguiram me acordar… Alô?!
- Seu caso é grave…
- Meu caso?! Ah, doutor, não me venha com suas mentiras.
- Quem dera fosse mentira… Tenho uma triste notícia…
Tomei um banho rápido, nem sequer escovei os dentes. No caminho ao consultório observava uma cidade vazia… Um sereno cuidou para que o cenário ficasse mais perturbador. Sentia uma presença no carro… Seriam os fantasmas que outrora me perseguiam?! Mas o que levaria o Doutor a me ligar em tal hora da madrugada?! Era mesmo ele ao telefone?! Nunca soube bem diferenciar sua voz…
O consultório estava fechado, estranho… Recebi uma mensagem de texto indicando que deveria ir ao Hospital Municipal. Dei a partida no carro… Chegando ao local determinado, observei que não tinha ninguém na recepção. Adentrei pouco a pouco. Os leitos estavam vazios… Nenhum paciente internado, nenhum choro de criança prestes a receber uma injeção.
Uma sala estava com a luz acesa. Fiquei com receio, mas minha curiosidade falou mais alto. Maldição. Uma forte dormência já tomava conta de meu corpo… Minha boca já não controlava a saliva, e parecendo um cão exibindo sua raiva, não conseguí ver a face dos enfermeiros… Sentia-me emboscado.
Aquela droga de camisa branca já não permitia meus movimentos. Amordaçado fui levado à sala… Será que sou um louco?! Devo ter sido confundido, no mínimo! Ah, mas vou processar esses cretinos!
Sem conseguir esboçar nenhuma reação, fui amarrado à cama… Meus sentidos se confundiam… Meus olhos já não agüentavam tanta dor. Relaxei. Dormí…
Acordei na minha cama, Doutor! Acredita?! Encolhidinho parecendo um recém nascido… Uma experiência no mínimo curiosa, não?! Não me olhe com essa face, seu arrogante… Foi sim um sonho, ou um pesadelo, não sei ao certo… O certo que sei, e admito com toda certeza, é que não pararemos de nos ver tão cedo… Velho mesquinho… Eu também estava com saudades…
É com imenso prazer que eu, Ícaro Uther, repasso essa nota para vocês. Parabéns a atitude do Ministro e para a equipe que faz parte do “O Piagüi”!
No último dia 25 de janeiro o atual Ministro da Cultura do País, Juca Ferreira (João Luiz Silva Ferreira), através de documento expedido do seu próprio gabinete, na Explanada dos Ministérios em Brasília, congratulou e reconheceu os serviços de divulgação e publicação do “O Piagüí – Culturalista”. É a primeira vez na história de Parnaíba que um veículo impresso, genuinamente cultural, recebe tamanho elogio, vindo de nada mais nada menos que a maior autoridade política da cultura brasileira.
Saramago chegou ao Dom Barreto por volta das quatro horas da tarde. Bastante preocupado. Sabia bem o motivo da reunião. Certamente perdera o emprego. Sentia-o escorrendo feito lama entre os dedos dos pés. Demitido antes mesmo de começar a trabalhar. Mais uma experiência desastrosa para o currículo. Mais uma experiência desastrosa por causa do currículo.
Não fora bem recebido na escola. Desde a primeira visita, Saramago captara uma estranha energia restritiva – perfídia emanando dos colegas professores. Mestres e doutores não convivem bem com os autodidatas. Não suportam – citando Mário Quintana – os ignorantes por conta própria.
Ali no sofá. Sentadinho. Pernas cruzadas. Mãos repousando sobre o joelho direito. Aguardava – ansioso! – o veredicto. O que diria para a diretora? Pediria desculpas por não ter concluído o ensino superior? Argumentaria, relacionando prêmios e publicações? Confessaria que sempre precisou trabalhar bastante para resistir – existir? Ou melhor seria permanecer quietinho e resignar-se?
Professor, o senhor ainda não é formado. Não sou. Então não é possível contratá-lo. Entendo. Política da escola. Sei. Não podemos abrir um precedente. Imagino. Mas gostaria de contar com o seu trabalho. Tudo bem. Análise de obras literárias. Final do ano? Final do ano. Fico aguardando então. Podemos ficar com o currículo? O currículo! Podemos? Certamente.
Saramago entrou no carro. Encarou o retrovisor. Não reconheceu aqueles olhos que o olhavam inquisidores – frustrados. O autodidata é uma sombra malcheirosa – refletiu. É um verme alimentando-se da putrefação. Criatura anônima esgueirando-se para que ninguém o perceba. Carente de um imponente diploma, o professor nem pode brincar de erudição.
Cheguei ao mundo chorando. Chorar foi a forma de provar que estava vivo. Mas se esse meu primeiro choro alegrou aqueles que me amavam ainda sem me conhecer, meus choros seguintes – também de dor como o primeiro – podem incomodar aqueles que me amam por me conhecer. Todo choro é de desespero, seja por não aguentar de dor, seja por não saber como lidar com tanta alegria. Só que ninguém gosta de pessoas desesperadas. Na infância chorava para que me notassem, me socorressem, mas na vida adulta isso não adianta muito. Os amores não dão certo, as amizades passam por crises, as pessoas se afastam, e chorar nada resolve.
Dentre as vivências que me fizeram chorar, de alegria e de tristeza, nada supera as lágrimas daquela amizade apaixonada. Foram os melhores choros de felicidade, foram os mais merecidos choros de momentos não tão felizes assim. Da perda, ficaram os choros solitários de saudade. Choros daqueles que ninguém entende, ninguém apóia, ninguém consola. Então, chega a hora de deixar de chorar. Quando não se consegue o que se quer de um jeito é preciso mudar de jeito. Sem chorar, sem as pirraças do coração fazerem efeito, aprendi a esperar, ao invés de chorar. Não que um dia a saudade deixe de doer, mas, um dia, a gente cresce e aprende a chorar em silêncio. E, muitas vezes, esperar e sentir esperança é um jeito de chorar em silêncio, sem que se note, sem que se veja, sem que se importem. Não importa, chorar, mesmo que em silêncio, sempre será um jeito de provar que ainda se está vivo e esperando.
“Ei, ele não vai voltar. Agora você não precisa mais esperar por ele”
(Sempre ao seu lado – 2010)
TEXTO RETIRADO DO SITE: http://www.eusoqueriaumcafe.com
Caros leitores, vou usar essa postagem para promover um pouco a cultura local de minha cidade, Parnaíba-PI. Além de escritor deste blog, sou baterista da banda Cadillac 23, dentre outras coisas. Estamos lançando um trabalho autoral. Devido a falta de recursos, só estamos com uma música lançada na internet, gravada de um show ao vivo.
Estamos participando do concurso musical “Olha minha banda” do Caldeirão do Huck, gostaríamos da ajuda de vocês, leitores do blog.
Considero a música uma paixão, nas minhas composições, textos e poesias posso expressar todas minhas frustrações, medos, paixões… No caso, em especial, da música, tenho o sonho que minha banda consiga alcançar o cenário nacional. Romper as barreiras piauienses… Os músicos daqui sabem o quão é difícil o cenário musical por aqui. Contamos com vocês!
Desde que a vida não seja tão farta, não renego nada de mal que venha a mim. Não podemos viver só de coisas boas. Muitas vezes nos deparamos com obstáculos, confusões, intrigas… Acho que se não fossem essas situações tudo seria muito calmo. Não gosto de calmaria.
O desejo sempre vem em formas não tão plausíveis, fantásticas, as coisas simples que me ocorrem vem com o tempo. Resumindo: as coisas boas. Não sou um modelo de um bom cidadão, mas me considero uma boa pessoa, assim como milhares e milhares de cidadãos ao redor do globo se consideram.
Deparo-me por diversas vezes com turbulências. Recordo-me perfeitamente de várias cenas do meu passado. Algumas me fazem rir agora, isso ocorre principalmente quando paro para analisá-las… Tanta coisa podia ser diferente, mas sigo um caminho chamado “vida”, e prefiro acreditar que o que vai acontecer, ah! Deixa que ela ilumine os caminhos…
Muitas pessoas reclamam porque falo muito no passado… O que seria do nosso presente e do nosso futuro se não fossem decisões que tomamos no passado?! Por que alguns anos atrás deixei de ir a uma importante viagem, abandonei, chorei, esperneei por não ser a favor de tudo que me forçavam a aceitar, a acreditar…
Enfim, acho que estou como estou hoje devido a decisões passadas, que, com plena certeza afirmo, me ajudaram a formar um caráter e saber o certo e o errado quando passar por situações parecidas em um futuro próximo.
Caros Leitores, convenhamos, nem todos foram santos no ano que se passou. Muito menos serão agora no ano de 2010. Freud explica… O ser humano é egoísta, fato. Lhes dou como exemplo uma situação que ocorreu a pouco tempo comigo…
Quem nunca teve que se posicionar direitinho e tirar a tradicional “foto de família”?! Pois bem, fotografia tirada, mas quem disse que em fotos olhamos para as outras pessoas que estão ao nosso redor?! A questão é: Só olhamos pra gente! Nosso melhor amigo pode ter saído na foto fazendo careta, vesgo, ou com uma cara não tão “bonitinha” como deveria… Mas nos importamos?! A resposta é: Não!
- Olha isso, cara! Até que fiquei legal nessa foto, vai pro orkut!
- Tá doido, mano?! Olha minha “tela”!!!
- Quem mandou nascer feio!!!
Sério mesmo, em certas ocasiões somos tão mesquinhos, até mesmo sem perceber, que isso nos iguala aos homens das cavernas… Cuidado, muito cuidado nesse tipo de ocasião. Só uma dica para começar o ano bem.
Uma data realmente verdadeira ou mais um mito urbano? Merchan? Capitalismo? Uma coisa temos certeza: um dia inteiro de festa, presentes e toda aquela “babação” em torno do gordinho mais conhecido do mundo: Papai Noel.
Não posso ser hipócrita, na minha infância realmente acreditei no bom velinho, bons tempos em que acordava e por baixo da minha rede estava uma linda caixa embrulhada com um papel de presente vermelho. Dizia minha Avó: Ele passou foi cedo… Mas me digam sinceramente… Onde que o Papai Noel iria sobrevoar distribuindo presentes em pleno nordeste brasileiro?
Certo dia, vi uma capa da revista “Superinteressante”, onde nela, se não me engano, contava várias mentiras e mitos que tivemos que engolir por vários séculos. A que mais chamou minha atenção foi a seguinte: Jesus nasceu mesmo no dia 25 de Dezembro? Para os católicos mais fervorosos, seria até crime blasfemar sobre isso, mas, caros leitores, não, ele não nasceu dia 25… Não se sabe ao certo nem o ano, quanto menos o dia precisamente.
Gosto da data, quem não gosta, até mesmo os judeus, que não tem nada haver com essa magia, se rendem a ela… Fato consumado: é bom ganhar presentes, é bom ver um sorriso sincero, ganhar um abraço apertado… Ouvir um: feliz natal! Só não me venha com histórias que todos os presentes que você ganha realmente te deixa satisfeito…