A Pedidos…

ORÁCIO E O MEDO DE AMAR

Fevereiro 10, 2008

E aqui estou eu, mais uma vez, a falar do pior – melhor – sentimento que podemos ter na nossa caixinha de surpresa que carregamos dentro do peito. Por que tal medo da pessoa amada? Por que o medo de ter aquela pessoa por perto? Por que preferimos nos esconder a tentarmos ser felizes?

Jogaria tudo para o auto – e jogo – por uma paixão, um amor, uma confusão entre amizade e afeto. Prefiro te ver feliz que eu. Sinceramente, essas são minhas palavras de honra. Você estando feliz, mesmo que não seja comigo, vou acompanhar sua felicidade. Apesar de que até o ultimo estante, escondi o que sinto por você, até o ultimo suspiro eu não revelei pra ninguém o que sentia. Sei que estas singelas palavras não servem só pra mim.

Deixei de ter medo do amor, medo de tal sentimento repugnante. Prefiro me aventurar, curtir a vida, simplesmente, tento não me apaixonar, mas tenho o coração mole. Tenho um coração tão mole, que pelo simples fato de ouvir uma música bonita, choro. Tenho o coração tão mole, que consigo perdoar o pior dos criminosos, e ainda por cima, consigo buscar minha felicidade, mesmo que seja superficial.

Tente achar um caminho que lhe traga alegria, que lhe traga conforto. Mesmo que o caminho seja grande, tente. Não deixe de lutar na primeira batalha perdida. Busque quem você ama, mesmo que tenha que enfrentar os sete dragões do inferno.

Já passei da época de me esconder dentro das minhas cobertas e chorar por um amor. Já passei da época de rabiscar no meu caderno o nome da pessoa amada. Agora eu vou atrás, acho que me machuco mais aqui parado, do que tentando.

Mesmo que seja em vão, vou poder falar que tentei. Não vou me sentir um fraco; fraco sim! Se fiquei aqui parado é por que fiquei com medo, se fiquei aqui parado é por que não tive forças para lutar, e sinceramente, prefiro morrer na mesmice de sempre, do que me sentir um fraco.

Prefiro ir e quebrar a cara, do que ficar choramingando pelos quatro cantos da minha casa. Diga o que você sente pela tal pessoa amada, isso sim é certo. E digo mais, isso, é aderir à revolução.

Esse texto é para todas aquelas pessoas que amam alguem, mas tem medo de ir atrás do amor.

. Texto escrito por: Ícaro Uther

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Saudade

Nem precisa de descrição.

. Post by: Ícaro Uther

Metade

E que a força do medo que tenho, não me impeça de ver o que anseio, Que a morte de tudo o que acredito, não me tape os ouvidos e a boca: porque metade de mim é o que grito, mas a outra metade é silêncio.

Que a música que ouço ao longe,
seja linda, ainda que triste.

Que a mulher que eu amo,
seja para sempre amada, mesmo que distante:
porque metade de mim é partida,
e a outra metade é saudade.

Que as palavras que eu falo,
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor,
apenas respeitadas como a única coisa que resta
a uma pessoa inundada de sentimento:
porque metade de mim é o que ouço,
mas a outra metade é o que calo.

Que essa minha vontade de ir embora,
se transforme na calma e na paz que eu mereço.

Que essa tensão que corre por dentro
seja um dia recompensada:
porque metade de mim é o que penso,
e a outra é um vulcão.

Que o medo da solidão se afaste,
Que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável.

Que o espelho reflita em meu rosto, o doce sorriso
que me lembro ter dado na infância:
porque metade de mim é a lembrança do que foi,
a outra metade, eu não sei.

Não seja preciso mais que uma simples alegria
para me fazer aquietar o espírito,
e que o teu silêncio me fale cada vez mais:
porque metade de mim é abrigo,
mas a outra metade é cansaço.

Que a arte nos aponte uma reposta,
mesmo que ela não saiba
E que ninguém a tente complicar:
porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer,
porque metade de mim é platéia,
e a outra metade é canção.

E que a minha loucura seja perdoada,
porque METADE DE MIM É AMOR, E A OUTRA METADE, TAMBÉM.

. Post by: Ícaro Uther

. Texto escrito por: Oswaldo Montenegro

Pequenos Parágrafos

Deixa amanhecer que provavelmente será um belo dia. A noite foi fria e dolorosa, não tive o conforto da minha cama. Meu lençol não me abraçou dessa vez… Acho que senti o cheiro do orvalho, mas só acho. São várias coisas Misturadas nesse instante, e as horas não passam, e os dias teimam em não acabar. Prisão.

.

Melhor mesmo o silêncio, o desgosto da saliva não sair da boca. Indecisão. Rotina que segue e sugere o silêncio. De nada adianta o falar, outrora sim. Às vezes é melhor esquecer, o silêncio ajuda, e mesmo sem silêncio, continuo.

.

Acho que até o mais belo palhaço tem seu momento de solidão.

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Difícil é ser de pedra
Vivendo sólido e indolor
Melhor mesmo é ser humano
Vivendo sempre por amor

. Textos escritos por: Ícaro Uther

Ti voglio bene

Não, dessa vez não falo

O silêncio é sincero

Os olhares se cruzaram

.

Uma bela fantasia

Hegemonia de outrora

Faço de mim o que não sou

Fraco, áspero, indolor

.

Finjo agora me entregar

A um amor que um dia

Acreditei e me entreguei

E gritei e gritei

.

Ti voglio bene!

. Poema escrito por: Ícaro Uther

Esquizofrenia

Não costumo escrever sobre questões políticas. Mesmo sabendo que o próprio ato de escrever já se constitui em atitude política. Forçada. Conceitual. Subliminar. Inconsciente. Sou daqueles seres humanos quietinhos que ficam ainda mais pequeninos quando o assunto é política, religião e futebol.

Fui candidato apenas uma vez – época da universidade – porque me convenceram de que eu era a pessoa ideal para assumir a secretaria de cultura do diretório acadêmico. E – principalmente! – teria liberdade para desenvolver meu trabalho longe da mesquinhez, sombra poderosa que nos acompanha enquanto administradores do bem público. Bobagem. Consciência tardia. Depois da vitória é que percebi que nem mesmo os artistas escapolem daquela gente, de estrutura perversa, capaz de tudo para alcançar e permanecer no poder.

Por que então romper o silêncio depois de tantos anos? Muito simples – ou por demais complexo! -. Se até recentemente a esfericidade do comportamento humano, metaforizado por medos, angústias e desejos representavam para mim uma espécie de pulsão – que não era de vida e muito menos de morte -, disparador do que a intelectualidade mambembe rejeita e chama de inspiração, hoje – grito em confissão! -, a entrevista de “respeitadíssimo” político piauiense para um programa de televisão local desencadeou uma revolução violenta em meus pensamentos e princípios. Se não atirei pedras no aparelho de tevê foi porque o notebook também estava ao alcance das mãos.

Que a polícia federal tem trabalhado bastante é um fato. Que nossos “homens ricos” têm dado bastante trabalho para a polícia federal também é um fato. E de fato o que se percebe é que a corrupção vem se tornando – agora é oficial! – o principal crime federal e estadual e municipal e, acrescentemos, visceral. O banqueiro Daniel Dantas foi preso. Foi solto. Foi preso. Foi solto. Comentário do senador piauiense: se ele é bandido, pelo menos é um bandido que gera emprego e renda. Comentário do senador piauiense: as atitudes do delegado que investiga o caso são atitudes esquizofrênicas.

De acordo com a CID-10, “os transtornos esquizofrênicos são caracterizados, em geral, por distorções fundamentais e características do pensamento e da percepção e por afeto inadequado ou embotado”. Mais adiante: “Dessa forma, o pensamento se torna vago, elíptico e obscuro e sua expressão em palavras, algumas vezes incompreensível”. O Aurélio também esclarece: “a esquizofrenia é uma afecção mental caracterizada pelo relaxamento das formas usuais de associação de idéias, baixa afetividade, autismo e perda de contato vital com a realidade”.

Perda de contato vital com a realidade! Tadinho do delegado e de todos nós. Daqui a pouco surge um novo Simão Bacamarte (peço ao leitor que entre em contato com a obra O Alienista, de Machado de Assis) e o Brasil, transformado em hospício, internará aqueles que não se sujeitam à enganação. O raciocínio será o seguinte: se os corruptos correspondem à maioria, ser corrupto é ser normal.

Louco é o juiz que manda prender. É o delegado que investiga. É o homem que exige os seus direitos. É o telespectador que não se deixa ludibriar. É o repórter que denuncia e por isso mesmo será processado. Loucura é invadir a casa do senhor Celso Pitta e filmar toda a operação. É não aceitar suborno. É algemar banqueiros e empresários. É deixar de lado a ficção e a criação de personagens – bem mais humanos! – para desabafar.

. Texto escrito por: Ajosé 1150

Do amoroso esquecimento

Eu agora – que desfecho!
Já nem penso mais em ti…
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

. Poema escrito por: Mário Quintana