Então pessoal, eu vesti essa camisa há tempos e hoje estou aqui para mostrar o resultado de tanto esforço: Minha primeira obra independente, totalmente livre, que eu denominei COLETÂNEA DO INEXISTENTE, onde eu fui a governanta da casa, fiz e to fazendo tudo, desde o livro em si, a revisão, a diagramação simples mesmo, a capa e a divulgação.
Espero que baixem o livro. Depois, com mais tempo, eu faço aqui um resumo mais bonitinho dele, é que ultimamente meu tempo está do tamanho da minha melhor amiga, pequenininho ^^ (Te amo tielly!)
No ápice da alegria
Febre tão intensa que mata e contagia
Correndo lado a lado – corpos entrelaçados -
Em um êxtase tão intenso que nem
A chuva conseguia desajeitar
O trio já ia longe
E a banda continuava a batucada
Tamborins e surdos ditavam a batida
E a multidão pulava sem “eira nem beira”
Lá longe ia Paulo, caminhando
O trio não chamara mais sua atenção
Se não fossem os amigos, sua casa seria seu carnaval
Ele não tinha alegria
Há tempos era assim
E entre doses e mais doses continua o percurso
A chuva, bendita, já encharcara sua alma
E na mesma chuva via tal figura
Pequenininha, cabelos curtos, pele branquinha
Que diabos seus olhos não se movem em outra direção?
E a cada passo, era uma esperança de ficar mais perto
E a cada passo ia ficando mais perto
Alguns minutos depois já estavam face a face
- É… Oi?!
- Bela maneira de cumprimentar uma dama, não?!
- Senti um tom de sarcasmo ou é impressão?!
- Besteira, cara, é carnaval!
- Isso não é desculpa…
- (…)
- Ok, começo novamente. Olá, sou Paulo, e a senhorita?
- Hum… Senhorita… Gostei, sou Verônica, prazer.
- Acostuma sempre acompanhar o trio, assim, de longe?
- Na verdade, sim.
E do corpo de Paulo surgiu uma chama
A praia de Atalaia tinha suas magias
E dessa vez, o poder de uma só palavra
Fez a alegria de Paulo
Que fez a alegria de Verônica
Que fez a alegria de toda a multidão que acompanhava o trio.
Abri as janelas mais cedo
Deixei o sol te acordar
Escrevi as mais belas poesias
Entre as sobras e os restos do dia
Juntei nossos pedaços perfeitos
Eu juro que dessa vez montei o quebra-cabeça direito
Uma imagem só, tão viva
A mais plena paisagem, o quadro que retratava a nossa viagem pela vida
Pela imensidão do mar
Pela imensidão de nós
Será que os monstros que vamos criar
Serão páreos para os nossos heróis
Como pássaro virá meu sossego
Em um vôo calmo e sereno, quase um sopro de Deus
Como pássaro irá meu destino
Procurar outro coração igual ao meu
E como beleza… Você virá pra mim
Como incerteza, você será certeza até o fim… Meu fim.
Ele sim deveria estar passeando pela linda praia de Atalaia.
Ele que deveria estar jogando futebol, colhendo conchas, aterrorizando os lindos brotos que estavam “dando mole” na beira do mar – e que mar – Lindo, azul clarinho, transparente, translúcido, com um brilho e uma leveza que só esse mar oferecia de melhor para os viajantes.
Mas não, ele estava era ali, parado e fadigado na frente de um bar, embriagado, após um longo dia de trabalho na empresa que herdou de sua rica família.
- Pedro, me da um copo d’agua!
- Que Pedro que nada, meu nome é Beneditino, e você sabe bem disso.
É. Não é uma boa hora para discussões.
- Me da logo a merda deste copo de agua, homem de Deus!
- Se tu beber, tu vomita, ora bolas.
- Não. Não. Não. Vômito nada cabra safado. Olha pra minha cara e diz se eu estou pelo menos com o leve ar de aparentar estar pelo menos com o leve aspecto de estar levemente embriagado.
Imagina, falando bonito, repetindo palavras. Bêbado é pouco.
- Um dia eu vou tirar férias. Um dia eu serei o Rei da Inglaterra Ocidental.
- Oras, e desde quando a Inglaterra tem o lado oriental?
- Assim vossa senhoria me confunde Pedro!
- Beneditino.
Nem ao certo Beneditino sabia o que se passava pela cabeça de John, só trabalhava. Vida solitária. De tanto trabalhar enlouquecera?
Não, não ao certo. Antes podia ser também um rico comprador de Jóias, mas não, tinha que se apaixonar pelo espelho. Estranho?
- Um dia eu vou ser o Presidente do Piauí!
- Piauí é estado.
- Prefeito?
- Governador.
- Um dia eu vou ser governador do Piauí!
Sonhador?
Era bastante interessado em sapatos da cor verde.
Estranho?
- E você Pedro, de onde é?
- Beneditino.
- Sim, senhor cristalino, quer conhecer minha casa?
- Não tenho tanta honra.
- Honra, oras, honra. Vamos homem, levanta o cu desse balcão e venha até minha casa.
- O que eu irei fazer lá?
- Você irá conhecer o amor da minha vida… é lindo Pedro, muito lindo.
- Lindo? Não seria, digamos, linda?
- É lindo, tão delicado, paresce que foi moldado em uma fábrica de sonhos.
Eu também achava que ele era gay, mas não, John era macho, muito macho, mas se apaixonara por si. Tão triste a situação dele. Se imagine nessa situação: Olhar para um espelho, e vê a figura amada.
Triste?
- Um dia vou me casar, meu amor.
- Deus me livre ir à sua casa!
- E você diz isso porque homem?
- Exatamente por isso, sou homem.
- E eu, não sou?
- Você está bêbado.
- Mas devido ao fato de estar bêbado, eu deixo de ser homem?
- Devido ao fato de estar bêbado, você se diz apaixonado por um homem.
- Mas eu sou apaixonado por um homem!
No mínimo curioso para Beneditino conhecer o tal homem que John era apaixonado.
- Você vem?
- Vou.
Era próximo a antiga estação ferroviária que se encontrava o casarão onde John habitava. Era só ele e os empregados. Uma mansão entregue as traças.
- Quer um café Pedro?
- Beneditino.
- Que tipo de café é esse?
- Esse qual?
- Beneditino.
A conversa até que estava indo para um bom rumo. Exceto ao fato de John, que lúcido, também aparenta estar bêbado.
- Cadê ele Pedro?
John que ficou parado em frente ao espelho durante doze minutos, esperando seu amor aparecer, fracassou.
- Cadê ele Pedro?
Beneditino que se viu no meio de uma mansão abandonada, em frente a John, que se encontrava parado em frente a um espelho, que refletia tudo, menos ele.
- Cadê ele Pedro?
As lágrimas já rolavam pela pálida face de John.
- Cadê ele Pedro?
Beneditino queria não acreditar. Mas cada vez, ficava mais preciso que o corpo achado na praia de Atalaia, em meio as conchas, vestindo um lindo terno preto, e sapatos verdes, era o de John.
- Cadê ele Pedro?
As lágrimas já rolavam pela, também, pálida face de Beneditino.
- Cadê ele Pedro?
Cada vez que John gritava, o inferno pessoal de Beneditino parecia ser mais real.
- Cadê ele Pedro?
Era para Beneditino estar no lugar de John, mas o destino foi trágico, quem herdou sozinho a rica herança foi John.
- Cadê ele Pedro?
Pedro e John, dois irmãos gêmeos, se completavam em tudo. Até o dia em que a ambição de Pedro acabou com tudo.
- Cadê ele Pedro?
- Meu nome é Beneditino!
Agora é Beneditino, mudara seu nome pra não ser reconhecido pela policia local. Agora era um simples dono de bar. Podendo ter tudo, agora, nada mais.
- Cadê ele Pedro?
Era Pedro que devia estar passeando pela praia de Atalaia.
Era Pedro que devia ser apunhalado pelas costas enquanto apanhava conchinhas na beira do mar, com seu lindo terno e seu sapato verde.
- Cadê ele Pedro?
Pedro sim merecia aquele fim trágico.
- Cadê ele Pedro?
Os dois irmãos, o reflexo do espelho, agora, nada mais é que: pó.
- Cadê ele Pedro?
Isso é uma pergunta que nem Pedro, nem Beneditino, nem mesmo John pode responder.
Triste?
A alma doce como a flauta
O corpo frágil como papelão
Stanley Anderson acordou muito cedo
Para alimentar os filhos no porão
Terno, gravata e um escudo
Contra qualquer sentimento bom
É a vida do Homem Stanley Anderson
Que cometeu suicídio antes mesmo de nascer
Os enormes prédios da cidade
Os inúteis vícios sociais
Como era psicótica a pessoa de Stanley
E a fúria ali do lado como uma irmã
Chegou na Corp. Hudgens
No prédio D´armont Silva e Prado
Sala 103, tudo como sempre
Muita correria organizada
Como qualquer dia a dia
De uma grande empresa
Como todo dia
Na vida de Stanley
Seu trabalho, sua vida
Sua vida uma mentira
Seus sapatos muito caros
Em um chão sem valor algum
Com os olhos meio vivos
Procura seu aquário
Tudo tão perfeito não fosse o notebook desligado
As luzes sempre acesas, hoje apagadas
Não estou falando da empresa e sim da sua sala
Stanley em frente a mesa vazia
Notou um homem que chegou sorrindo
Aquele rosto era algo novo
Mas, conhecia muito aquele sorriso
Tinha um ar familiar, era mais um hipócrita
Imediatamente, em sua desconfiança
Stanley foi a ultima sala
Viu uma porta escrita “Presidente”
Não precisou bater duas vezes
Parece que alguém estava a sua espera
Tinha o mesmo riso do homem estranho
Mas, esse homem não era algo novo
Mas o sorriso tinha a mesma forma e tamanho
Ele então lhe entregou uma pasta
Dentro dela havia vários papéis
“Assine aqui”, disse o homem hipócrita
“Depois vá ao setor de recursos desumanos”
Ao passar pela extensão da empresa
Mais uma olhada para o novo homem
Seu aquário novamente vivo
Sua cadeira novamente ocupada
Uma lágrima ameaçou descer
Mas, olhou as pessoas em volta
Não conhecia ninguém, simplesmente
Nunca havia feito amizades
Em 15 anos de trabalho
Ele tinha se isolado do mundo
Logo, Stanley, uma criança tão linda
Que apanhava de seu pai todo dia
Então, lembrou de alimentar seu cachorro
Que a essa hora dormia em sua cama
Numa casinha feita no quintal de casa
Feita com muito cuidado e prática
Lembrou dos filhos no porão sem mágica
Sem a luz do dia, sem amor, sem nada
Não deu mínima pra aquele pensamento
Era um cego até aquele momento
A ambulância chegou tão rápido
O coração já não batia mais
Deitado na calçada, as pessoas em volta
Se perguntando “Quem é esse rapaz?”
Só queria ser aquela gota libidinosa
[de carinho
Só queria não mais ser o culpado
[culpado de que?
Desperdiçar seu tempo, suas horas
[Oras!
Aquele amor não ter sido longo o suficiente
[Culpa minha?
Minha! Não é sempre assim? Parece que o simples fato de ter meu nome no meio da história me torna o culpado. Sempre olham apenas o perfil, nunca olham a face toda.
Nunca
[Você!
Parou pra contestar a situação. Olhou ao redor e tentou buscar
[Seus!
Defeitos.
[...]
Algo atrapalhou, não?
[...]
Eu atrapalhei?
[Marasmo
Velhas respostas bobas e insanas... Tens algo pra contar?
[Te amo
Se nos amamos, porque não damos certos?
[...]
Mundos diferentes, totalmente diferente
[Eu!
Mudei, você parece que não se esforçou
[Eu que digo!
Sem querer te ofender, mas
[Eu!
Fiz de tudo, e parece que
[Você!
Fez de nada… Vamos rever
[Nossos!
Conceitos, vamos tentar?