
Café e Alzheimer
Novembro 12, 2009
“Acordo e levanto. Passo um café, organizo algum caos tentando lembrar qual dos livros parei de ler por último, na metade do último capítulo.
Vejo meus e-mails, respondo os que interessam. Me lembro de alguma, tentando lembrar qual dos erros usei para deixar de ser o último, que ela amou por último antes desse.
Penso um tanto, arranho acordes, a voz não vem. E leio tudo que escrevi na noite anterior tentando lembrar qual dose tornou, em algum momento, aquele lixo genial ou bacana.
E jogo fora o resto do café frio, as reflexões do livro largado, os e-mails dispensáveis, os amores mal vividos, os acordes mudos, os textos fracos.
E assim mantenho a rotina interessante, sempre recomeçando um pouco, todo dia, todo instante.
Minha dose de cafeína e Alzheimer.
Acordo e levanto, passo um café…”
. Cícero Lins (Vocalista da Banda Alice)