E então seria só mais um sonho sincero e não seria seu sacrifício; não seria só mais uma ébria canção que faz sofrer só por dentro e entender o que não é pra entender. Mesmo que sonhos sejam assim, assumiria o risco de cair em pensamentos tão óbvios, como sou, em desenganos não raros sem calor. O medo fugiria certo e ao se abrir seu riso quieto quedariam reinos, somaria o seu ao meu amor.
Sem saber se escapava de lá, sem sentir se sombra ou solar, só por ti ficaria do mesmo lado; seria um lance de dados em jogo a sina ou a solução. E ali fiquei vendo tudo partir… Velhos trens na estação. Na saída sentado só sem saber se seria minha sina ou simples sensação, sem saber se servia sonhar meus segredos que contavam anseios, me roubavam o ar.
Ninguém ri remando contra a maré, além mar remaria só pra ver seu sorriso sorrindo, só indo até o fim pra saber o que te compõe e o que te importa, sobraria incerteza, mas encontraria a forma de repetir aquele velho clichê que diz: perco-me mais; encontro-te enfim…
Já passou do meio dia e desde trezentas e trinta e duas horas atrás está chovendo muito em Phb City. Acho que é tanta chuva que nem as Little Red Tiamat Dragons conseguem sobrevoar a cidade.
Aqui a minha rua ta parecendo uma piscina, já dei a idéia pra mamãe pegar uma canoa e botar uma plaqueta nela: Faz-se frete.
Uma hora dessas acho que não existe nem mais Bairro São José, Nem Areinha. Acho que até a Beira Rio ta alagada. Mas agora eu entro em uma contradição com ricos e pobres.
Certa vez eu ouvi uma pessoa de renda relativamente baixa me contando que não tinha nada. E agora vi na TV a mesma pessoa dando uma entrevista dizendo que por causa da chuva perdeu tudo. Que diabos é isso? Se tiver nada, como pode perder tudo?
Pobre é uma desgraça mesmo. Lá se vem meu humor-negro. Quando está na época sem chuvas, diz que a seca acabou com tudo e destruiu tudo. Quando vem a chuva, diz que destrói tudo também, se decidam logo.
Para termos uma vida tranqüila e serena, precisamos de uma base para nos apoiar. Hoje em uma conversa entre amigos, regada de um péssimo vinho e um clima perfeito pra tal conversa. Refletimos muito, brincamos muito, aprendemos muito. Abrimos nossos corações uns para os outros. Hyago “New Punk”, Johann Sebastian Bauer, Ícaro “Orácio” e Alciomar “Necro”.
Refleti muito com nossa conversa, cheguei a um ponto de me desligar de tudo e conversar com meu subconsciente. Nada mais é como antigamente. Aquele papo de amizade é passado, eu estava conversando sim, era com meus irmãos. Acho que eles são a base da minha vida. Para construirmos uma base sólida para uma sólida vida, precisamos de uma boa base, correto? Espero não estar enganado de depositar todas minhas forças nessa base. Espero não estar enganado de preferir vê-los feliz que eu. Espero que não quebre minha cara.
A base da nossa vida pode ser um amor, uma banda, uma pessoa; seja o que for, trate-a da melhor maneira possível. Todos eles sabem que pra que precisarem vou estar aqui do lado, nos bons e nos maus momentos. Todos eles sabem que sempre vão ter meu ombro pra chorar, desabafar; seja o que for.
Em uma parte da conversa falamos sobre amor, falamos sobre nossas dores. O Johann me falou uma coisa tão bonita, que tais palavras estão na minha mente até agora, mas não é o momento certo relata-las aqui. Em tal momento, choraminguei, e achei estar sem uma base na minha vida, mas minha base estava presente e eu não percebi.
Descobri até que sou um ser romântico, descobri também que o único cara da face da terra que eu pensava que não tinha coração, tem sim um coração, e um coração muito bom por sinal. Percebi que eu estava trilhando o caminho certo em ambos os mundos que vivo. Agora vou só botar a cabeça no lugar, e deixar o destino trabalhar. Espero que ele trabalhe pensando um pouco mais em mim. Espero que o tempo também esteja ao meu favor, e espero também que a caixinha de surpresas que carrego dentro do peito pare, aliás, que não pare, que dê um tempo e deixe de se iludir.